Empreendedores do meu Brasil
Em abril deste ano eu saí de um dos melhores lugares pra se trabalhar nesse país afim de realizar um antigo sonho: construir uma empresa.
Desde que eu era criança eu já demonstrava essa vocação de empresário e tinha uma “empresa” que vendia seguro para as bicicletas de meus amigos. Já tinha um sócio nessa época (meu grande amigo Wagner Longo).
Em 2001 eu fundei a Haxent Consultoria juntamente com outros 5 sócios (Sérgio Bruder, Guilherme Manika, Rudá Moura, Alfredo Kojima e Eliphas Levy) e a empresa estava indo bem no começo até que alguns tropeços foram dados e fui obrigado a sair da sociedade. A Haxent ainda vai bem e atualmente tem como sócios apenas o Sérgio Bruder e o Guilherme Manika.
Como vocês podem ver em todas as minhas empreitadas sempre tive a figura do “sócio”. Não só por porque é uma espécie de “obrigação legal” (é mais fácil abrir empresas de sociedade limitada) mas porque compartilhar decisões e trabalho é sempre uma coisa muito saudável na administração de uma empresa.
Já faz uns 4 meses que fundei a Triveos Tecnologia Ltda. (por favor, perdoem-me pelo site :D) e tenho como sócia a minha esposa (apenas para cumprir o aspecto legal já citado). Montei a empresa sozinho para depois procurar por um sócio que compartilhasse da vontade de tocá-la junto comigo.
A Triveos trabalha atualmente com Consultoria em TI nas áreas de desenvolvimento Linux Embedded e em desenvolvimento Web (feitos pra garantir o fluxo de caixa) mas o plano de longo prazo é ter produtos voltados à Web (e Web móvel).
No passado eu já enfrentei todo tipo de problema para construir uma empresa: falta de dinheiro, falta de trabalho/clientes, falta de mão de obra e até mesmo falta de um projeto para ela.
A Triveos, atualmente, não está com problema de falta de dinheiro (apesar de estar com os “cintos apertados”), não está com falta de clientes ou trabalho (eles aparecem aqui e ali pontualmente), não está com falta de mão de obra (porque a demanda ainda não pede a contratação de funcionários) e não está com falta de projetos para o futuro (tenho pelo menos 1 projeto grande e uma mão cheia de projetos menores esperando pelo aval de um sócio) mas não consigo achar sócios para a empresa. Não sei qual é a razão mas espero compreendê-la em breve.
Não é sempre que um empreendedor vai encontrar uma empresa nova, com projetos, com clientes, com um pouco de dinheiro, constituída legalmente e com todos os aspectos fiscais/contábeis impecáveis precisando apenas de alguém para trabalhar com afinco (ou ter dinheiro para se tornar um sócio-investidor).
No plano de negócios que está sendo gradualmente construído (na minha cabeça ele está pronto mas preciso passá-lo para o papel para poder verificar a sua viabilidade) eu avalio a necessidade de um sócio que saiba desenvolver software e de um sócio que saiba lidar com outro aspecto importante dos produtos que iremos desenvolver: o design.
A empresa está sediada em Curitiba mas não vejo problemas com trabalho remoto (desde que eventualmente os sócios possam se reunir presencialmente). Também não vejo problemas se o pretendente a sócio também estiver estudando ou precise continuar num trabalho que lhe garanta o sustento desde que ele comprometa uma parte do seu tempo na criação e execução de projetos para a empresa.
Esses cenários (trabalho remoto ou part-time) não são o ideal mas tendo em vista a dificuldade de se encontrar candidatos a empresários no Brasil…
Eu já mantive contato com umas 5 pessoas e por razões diversas (pessoais, estudo, dinheiro ou carreira) a coisa não funcionou. Espero que com esse post algumas pessoas apareçam.
Mas notem: estou procurando um sócio e não um funcionário!
Quero uma pessoa disposta a correr riscos e a se dar mal caso a empresa não funcione direito. Quero uma pessoa disposta a trabalhar muito e ganhar pouco (ou nada). Quero uma pessoa cujo gênio “bata” com o meu (mas que não seja muito parecida comigo). Quero alguém pra concordar, discutir e brigar comigo. Portanto, não me enviem currículos. Me envie um e-mail dizendo tudo aquilo que você acha necessário dizer para me convencer a ser seu sócio (projetos, idéias, desejos, planos de negócio, …).
Atualização: Estou enviando esse e-mail automático para todos que se candidataram à vaga:
From: Osvaldo Santana Neto <osantana triveos.com> Subject: Vaga para sócio na Triveos Tecnologia Ltda. [eu não gosto de respostas automáticas mas nesse caso foi necessário] Olá, Eu agradeço o seu interesse em ser meu sócio. Como você deve presumir, ao colocar um anúncio procurando por parceiros nessa empreitada em meu blog fez com que eu recebesse e ainda continue recebendo diversas propostas de candidatos à 'vaga'. Alguns dos proponentes compreenderam que eu estava procurando por um *sócio* e não por um funcionário. Outros não entenderam direito essa idéia. O primeiro e-mail que recebi foi de um candidato de Curitiba que trabalhou na Conectiva (Mandriva) e que atualmente trabalha em uma outra empresa de tecnologia daqui. Seguimos adiante com as conversas e até o momento as coisas estão num ritmo interessante. A sociedade ainda não está 'sacramentada' porque tanto eu quanto ele achamos que devemos esperar um pouco mais para isso. Até lá vamos tocando um dos projetos da empresa em parceria. Esse e-mail então serve pra dizer que, até que se prove o contrário, eu já encontrei um sócio desenvolvedor. Em todo caso irei guardar todos os e-mails que recebi para que no futuro, se as coisas não funcionarem com esse candidato, eu volte a contactá-los. Mais uma vez, perdoem-me pelo e-mail extremamente "impessoal" e automático para uma questão tão séria e pessoal como esta mas recebi muitos e-mails e respondê-los um a um tomaria muito tempo de um jovem empresário que, nesta etapa do negócio, tem um monte de trabalho difícil pra fazer. Obrigado pelo interesse, Osvaldo Santana Neto Triveos Tecnologia Ltda.
Persevere.
A Lição Final
Dia desses eu estava trabalhando e ao olhar na barra do meu Google Talk eu vi que o Guido van Rossum (criador da linguagem Python) havia colocado o endereço de um vídeo no Youtube. Achei que era algum vídeo legal sobre Python e resolvi abrir.
Era o vídeo de uma palestra de um professor norte-americano que trabalhava na área de tecnologia de realidade virtual. Até aí nada de mais (eu sequer me interesso pelo assunto).
Continuei a assistir o vídeo por mais um tempo mais por “fé” na indicação do Guido do que por qualquer outra razão. Em certo momento do início da apresentação o professor, chamado Randy Paysch, mostra um Raio-X do fígado dele onde se conta 10 tumores e ele diz que tem entre 3 e 6 meses de vida.
Ele então começa a falar sobre sonhos e sobre como realizá-los. Sua habilidade como orador é invejável. Continuo assistindo a palestra. Me emociono.
Semanas depois leio na revista Época que esse vídeo havia se tornado uma febre no Youtube e que o professor Pausch estava preparando um livro com o conteúdo dessa mesma palestra juntamente com um amigo. Pensei (me esquecendo que o cara estava condenado à morte): pronto, mais um livro de auto-ajuda que vai deixar o autor rico.
A algumas semanas atrás fiquei sabendo que o professor faleceu e em uma de minhas passeadas em livrarias pude ver que uma tradução do livro já estava disponível no Brasil. Voltando do Rio de Janeiro, onde havia participado da PyConBrasil 2008, resolvi comprar o livro pra ler durante a viagem de volta.
A coincidência
Lendo o capítulo “24. O tolo que se redimiu”, onde o professor conta a história de um de seus alunos (chamado Tommy) que era fã de Guerra nas Estrelas e sonhava em trabalhar na produção dos filmes da saga, eu esbarro no seguinte trecho (página 135):
Quando me transferi para a Carnegie Mellon, todos os membros da equipe da Universidade da Virgínia me acompanharam — menos Tommy. Ele não podia se mudar. Por quê? Porque fora contratado pela Industrial Light & Magic, a companhia do produtor/diretor George Lucas. E note-se que ele foi contratado não por causa do seu sonho, mas sim por suas habilidades. No período em que participou do nosso grupo de pesquisa, Tommy se tornou um destacado programador de linguagem Python (grifo meu), por sorte dele a linguagem escolhida pela empresa de Lucas. E sorte mesmo é quando o preparo se une à oportunidade.
Não é coincidência? Eu conheço o cara através do criador do Python e voltando de uma conferência de Python eu leio que um dos alunos do cara realizou o sonho de trabalhar na Industrial Light & Magic porque conhecia Python.
O livro
No geral o livro é um complemento ao vídeo e foi escrito, segundo o autor, como uma forma de deixar uma mensagem para os seus filhos.
Seria um típico livro de auto-ajuda se não fosse a biografia de um professor que deixou uma mensagem muito bonita para sua família pouco antes de morrer. É um livro onde se encontra muitos “clichês”, muitos momentos piegas e que muitas vezes emociona o leitor (principalmente aqueles que já são pais).
Ele tem uma encadernação muito bonita com capa dura e um tamanho reduzido que o torna excelente para presentear os amigos. Por se tratar de um livro barato cuja leitura é muito rápida (li ele em 1 dia) eu recomendo a todos que tem seus sonhos e gostariam de realizá-los. Mais ainda àqueles que tem filhos.
Para comprar:
Submarino (mais barato no momento em que faço esse post)
Livraria Cultura
Lojas Americanas (dica do Prof. Marco André)
- A Lição Final (apenas R$9,90!)
PyConBrasil – Agora só no ano que vem
A PyConBrasil 2008 terminou neste último sábado. Fiquei devendo contar como foi e vou fazer isso de forma bastante resumida:
Animal!
Eu estava extremamente receoso sobre a qualidade do evento deste ano porque a organização dele foi relativamente “atropelada”. Demos início aos preparativos extremamente tarde e isso causou uma série de problemas que não irá se repetir no ano que vem.
O evento desse ano aconteceu no Rio de Janeiro dentro da UVA (Universidade Veiga de Almeida) e teve como Big Kahuna o Luiz Gustavo. Além dele o evento contou com o apoio heróico de Mônica Aragon (UVA), Giuseppe Romagnolli e Luis Guilherme (Serpro), Cláudio Berrondo (INPI), Flávio Coelho (Fiocruz), Roberto De Almeida (INPE), John Edson (Gama Filho), Luiz Eduardo Borges (Petrobras) e Rafael Monnerat (CEFET Campos).

foto de Felipe Tonello.
O prédio da UVA é muito legal e a infra-estrutura oferecida para o evento estava 98%. Só não chegou à 100% por conta do Wi-Fi que mesmo tendo funcionado praticamente 100% do tempo teimava em não fornecer um DNS adequado (problema resolvido com o uso do OpenDNS).
Por questões de orçamento o café foi “cortado”. Mesmo assim, na base do improviso, conseguiram atender à essa demanda com farta distribuição de refrigerante, água e café durante um dos intervalos.
Não foi possível assistir à apresentação completa do Limi porque precisava me deslocar para a PUC-RJ onde estava ministrando um treinamento de Python para S60 mas até o ponto onde eu assisti a apresentação estava muito bacana. A palestra do Bruce Eckel também foi legal (apesar de eu achar que não valeu o que custou).
Mas o destaque fica para as apresentações dos brasileiros. Eu sofro de um “leve DDA” e logo desisto de acompanhar palestras que não conseguem prender 100% da minha atenção. Acho que esse foi o evento onde eu mais assisti palestras inteiras nos últimos 5 anos.
Os destaques (pela ordem de apresentação) vão para o Ricardo Niederberger com “Busca de Imagens…”, Humberto Diógenes e sua palestra sobre WSGI, a Tatiana (que surpreende ano a ano) e seu Lego Mindstorms NXT e o Daniel Lélis que “quebrou as quilhas” com sua “Interação com o computador através de visão computacional e Webcam”.
Auditório com muita ocupação todos os dias, wi-fi funcionando, palestrantes internacionais, patrocinadores de peso, prédio legal, palestras maravilhosas, comunidade genial e uma cidade maravilhosa certamente formam a receita ideal para um evento perfeito.
Espero vocês em 2009 na cidade escolhida. Aliás, dêem início aos preparativos para candidatar a sua cidade para sediar o ano que vem. Logo logo as instruções de como fazer isso irão aparecer nas listas vinculadas à Associação Python Brasil.





