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Archive for junho, 2008

30
jun

E os sites teimam em não funcionar

Recentemente eu comprei um Macbook e passei a ser usuário do Mac OS X. Neste sistema eu tenho acesso a dois browsers extremamente poderosos: o Safari e o Firefox. Ambos em suas últimas versões.

Como uso Linux pro trabalho eu também comprei uma licença do VMWare Fusion (que já valeu cada um dos centavos gastos) onde rodo um Ubuntu Linux e navego com o Firefox.

Isso significa que em meu ambiente tenho à disposição 2 browsers diferentes sendo que um deles roda em 2 sistemas operacionais distintos.

Eu também gastei R$500 com uma licença original do Windows Vista. Em minha opinião esse dinheiro foi perdido porque o sistema é ruim (não porque é o Windows e sim porque é o Vista). Como não uso o Windows pra nada além de eventuais partidas de Counter-Strike (que não podem ser jogadas no VMWare por causa da falta do suporte à aceleração 3D da placa) eu praticamente não inicio ele em minha máquina. Iniciá-lo também é chato e consome muita memória me obrigando quase sempre a ‘desligar’ o Linux.

Em resumo: Iniciar o Windows pra mim é um transtorno.

Nos últimos meses eu tive que interagir via Web com uma grande quantidade de sites governamentais, bancos, empresas de telefonia e até mesmo lojas de e-commerce e me impressionou a quantidade absurdas de sites que ainda teimam em não funcionar com browsers que não sejam o Internet Explorer.

No passado eu entendia essas coisas porque realmente o IE era usado por 99,9% dos clientes na Web mas hoje, apesar de ainda ser uma grande maioria, esse cenário mudou bastante.

Dependendo das estatísticas que se pega na Internet você pode ver que a presença do IE varia entre 74% e 95% e alguns vão se perguntar: o que são 5% dos navegadores? Porque devemos nos preocupar com 5% dos navegadores Firefox/Safari/Opera/…?

Porque numa pesquisa de 2007 o Brasil tinha 15 milhões de pessoas com acesso à Internet e 5% de 15 milhões são 750.000 pessoas! :)

Me explique uma coisa: que tipo de empresa despresaria 750.000 potenciais clientes somente porque a sua equipe técnica não quer investir um tempo testando o site em um browser “alternativo” e eventualmente corrigir problemas?

Os empresários brasileiros desprezam 750.000 potenciais clientes e depois dizem que seus negócios estão afundando por conta dos impostos altos…

Segue abaixo uma lista de sites que não funcionam com browsers não-IE:

  • http://www.vivo.com.br – Simplesmente não é possível “logar” na parte de serviços deles para aquelas tarefinhas ‘triviais’ como ver a fatura do celular e afins.
  • http://www.claro.com.br – É impossível acessar qualquer informação referente à sua conta no site deles. Outras partes estão OK.
  • http://www.saraiva.com.br – Não é possível alterar o seu endereço de entrega.
  • Todos aqueles “Atendimento Online” que tentei usar não funcionaram.
  • … se vocês lembrarem de mais algum coloquem nos comentários…

O site do Banco Itaú funciona perfeitamente bem com meu browser, mas a disponibilidade dos serviços deles é patética. Pelo menos duas vezes por semana eu recebo um “Erro do servidor” ou um “Serviço indisponível” na cara.

Mas cabe acrescentar que uma vez fiz uma reclamação pro Itaú sobre uma parte do site que não estava funcionando no Firefox e algumas horas depois me ligaram pedindo detalhes para providenciar o conserto. E consertaram mesmo. Isso foi Nota 10!

Como vocês puderam ver eu tenho o hábito de ligar reclamando desses problemas e sugerindo o conserto dos mesmos, mas tenho certeza de que eles jogam fora esses conselhos porque “só” 5% dos acessos deles vêm de browsers alternativos.

Aos amigos do Terra… eu ia acrescentar o Terra TV aqui mas ele subitamente funcionou no meu Firefox :)

26
jun

Porque a Web 2.0 não engrena no Brasil?

Hoje, durante a minha leitura matinal, eu esbarrei num post que me levou a outro que me levou a outro.

Um resumo muito rápido do conteúdo desses três posts seria: “Porque o Brasil não desenvolve sites Web 2.0? Porque as faculdades não preparam os estudantes.”

Mas eu gostaria de acrescentar algumas coisas a mais nessa equação: “Qualificação”, “Custo” e “Investimento”.

Eu nunca montei uma empresa de tecnologia no Vale do Silício então não tenho uma referência de como as coisas por lá funcionam em detalhes, mas estou no processo de abertura de empresa aqui no Brasil e tenho um projeto “Web” pra ser desenvolvido.

O meu projeto Web 2.0 não tem nada relacionado à mídia (TV, vídeo, som, música) mas para fins de ilustração vou fingir que a minha idéia seria de montar um site de mídia chamado SeuTubo!. Então vamos à história.

Sou um “mico”-empresário brasileiro típico: o que falta de dinheiro sobra de coragem (insanidade?). E vou atrás do que é necessário para desenvolver meu projeto. Até o momento eu só tenho um Plano de Negócios (Business Plan) que venho desenvolvendo a meses e que julgo estar bom.

Vou adiar ao máximo a abertura formal da empresa porque sei que isso gera muito trabalho que eu ainda não preciso ter. Então parto para desenvolver a aplicação. Eu não sou um técnico/programador/sysadmin perfeito mas, também para fins de ilustração, vou ser um super-homem-do-código.

Como as soluções de vídeo na Web já estão razoavelmente ‘comoditizadas’ eu começo a pescar os componentes da solução aqui e ali pra montar meu site… Uma pitada de Python, outra de PHP, uns MySQLs pra alegrar os amigos que trabalham na Sun, um pouquinho de Java pra indexar os dados, … estamos quase lá… falta só o componente central: o player do lado cliente que é feito em Flash.

Ummm… Google: “Free Flash vídeo player download”… nada… busca de outro jeito trocando “Free” por “Open”… nada também… mais procura… acho algumas coisas bem imaturas e que não estão em pleno desenvolvimento… é, não vale a pena arriscar o meu futuro negócio por essa economia. Hora de colocar a mão no bolso (vazio).

Eu não tenho dinheiro pra comprar nada. Então vamos à procura de um investidor… Onde? Cadê os investidores de risco no Brasil? Tem até um portal pra eles feito *pelo governo* mas a coisa não é tão simples assim (e levaria tempo que eu já não tenho tanto).

Bom… vendo meu carro e compro esses componentes de software. Que sorte! Eu tinha um carro pra me desfazer! Meu filho vai pra escola à pé… já tá na hora dele começar a fazer atividades físicas mesmo…

A tal ferramenta sai barato: $1000 (preço hipotético também). Viva o Brasil! O dólar agora tá uma merreca! E ainda sobrou uma grana da venda do carro…

Termino de desenvolver o meu software. Hora de buscar um lugar pra hospedá-lo. Vocês já viram os custos de infraestrutura de rede no Brasil? Como que minha empresa sobreviveria até ter lucro gastando uma fortuna com as Telecoms? Que negócio Web prospera num país que cobra os preços obcenos do Brasil por um link de 1MB?

E minha aplicação de vídeo? Vocês tem uma noção da quantidade de banda que consome? E se o site fizer sucesso… que bom, não? Não! Porque eu iria à falência antes que esse sucesso vire receita porque as belas-Telecoms iriam me estorquir.

Mas… Aí eu vejo que dá pra hospedar o meu negócio em um país cujas empresas e empresários pensam nas pessoas como eu: EUA. Contrato um serviço de “Cloud Computing” onde eu pago preços baixos sob demanda pelo uso de banda. E cruzo os dedos pro dólar não voltar a subir :)

Legal… meu site tá funcionando lá… já dá até pra abrir ele pro público. Mas espere! Agora que eu percebi isso… o visual do meu site está uma tosqueira só! Preciso ‘dar um tapa’ no visual dele e me certificar que ele está usável, afinal, usabilidade e visual são requisitos da Web 2.0, certo?

Vou atrás de empresas de design e usabilidade… Os caras sabem que eles são poucos e vão te cobrar fortunas pela ajuda. Eles estão certos. Lei básica do mercado: muita demanda + pouca oferta = preço alto.

Tento por outra via: achar um cara de design e/ou usabilidade (provavelmente recém-formado) para ser meu sócio (lembre-se que não tenho grana pra pagar salário, logo, todos os meus ‘funcionários’ precisam ser sócios). Eu tento, tento, tento e… lanço o site feio e pouco usável mesmo. Não acho alguém com esse perfil pra me ajudar (e isso já não é ilustração, é real :D).

Legal… o site está em funcionamento e mesmo feio/torto está fazendo sucesso. Já tem até um dinheirinho entrando! Massa! (em dólar… tenho até dó do meu futuro contador) Agora não dá mais pra esperar. Tenho que formalizar a empresa.

Voltando à vida real: de 20 a 30 dias entre o início do processo e a impressão das notas fiscais. Isso porque moro no Paraná (um dos estados onde a abertura de empresas acontece rapidamente).

Agora troquem o “mico”-empresário brasileiro da história acima pelo Chad Hurley e pelo Steve Chen e vejam se foi difícil assim montar o Youtube?

Será que eles morreram nos primeiros meses de funcionamento porque as fornecedoras de links deles os estorquiram? Será que eles tiveram (ou teriam) trabalho pra encontrar um Angel Investor no Vale do Silício para financiá-los no início? Será que ficou caro e/ou foi difícil achar um especialista em design/usabilidade pra fazer o site deles? E formalizar a empresa deles? Levou um mês?

Então é isso. Muito mais do que o problema da péssima formação dos estudantes do Brasil a dificuldade para se montar um site “Web 2.0″ passa por burocracia governamental, dificuldade de financiamento, infra-estrutura cara, entraves alfandegários/tecnológicos (ex. importar equipamentos não lançados no Brasil) e falta de visão empreendedora do brasileiro (brasileiro prefere ser funcionário).

Nesse cenário cheio de “pragas” é difícil de vingar uma lavoura. E quem resolve se aventurar nesse cenário, como eu, é tratado por louco pelos companheiros. E com razão.

10
jun

PyConBrasil 2008 – Chamada de Trabalhos

Sabe aquele projeto bacana que você desenvolveu em Python? Sabe aquela biblioteca fantástica que você começou a usar? Sabe aquele site “Web 2.0″ que você desenvolveu no Google Apps? E aquele treinamento que você ministrou na sua escola?

Chegou a hora de você mostrar isso para toda a comunidade brasileira de desenvolvedores Python!

Estão abertas as inscrições de palestras e treinamentos para a PyConBrasil 2008 que, esse ano, irá acontecer na Universidade Veiga de Almeida no Rio de Janeiro entre os dias 18 e 20 de setembro.

O período para inscrições de palestras e treinamentos vai do dia 10 de junho até 13 de julho. O tempo é curto, por isso é melhor se apressar.

O processo é simples e sem custos: basta ir no site do evento e clicar em “Chamada de Trabalhos“. Lá você poderá cadastrar uma palestra com duração entre 30min e 1h, uma palestra-relâmpago (perfeita para demonstrar casos de uso de Python na sua empresa) com duração entre 5min e 20min ou um treinamento com duração entre 2h e 2 dias.

As palestras e treinamentos deverão falar de Python mas não precisam tratar de nenhum assunto específico.

Contamos com você no evento e com a sua ajuda na divulgação do mesmo. Conte para todos os seus amigos e colegas, divulgue em seu blog, coloque um banner no seu site, que esse evento é um dos melhores eventos técnicos que temos hoje no Brasil.