Codare-mos
Nasceu o Codare!
Boa parte da qualidade de um programador é formada por sua experiência de “vida” adquirida nessa função. Quanto mais tempo um programador está na estrada mais “bagagem” ele acumula.
Uma parte considerável dessa bagagem é formada por dicas, macetes e práticas que foram descobertas por acaso ou depois de muito sofrimento. Leva-se muito tempo para acumular uma boa quantidade dessas dicas.
E se algum dia um grupo de programadores com muita experiência passassem a escrever essas dicas em um site? E se essas dicas fossem curtas e rápidas para facilitar a assimilação?
Pois bem, foi exatamente isso que aconteceu: um grupo de programadores brasileiros se juntou para escrever todas essas dicas para os programadores brasileiros. Esses programadores todos são regidos pela batuta competente do Aurélio Jargas (conhecido como verde por alguns).
Isso mesmo! Dicas valiosas, escritas de maneira acessível, em língua portuguesa e totalmente “di grátis”! Só não lê quem não quiser.
E pra quem programa em Python!
Computador para Todos
Tenho acompanhado algumas notícias sobre o projeto Computador para Todos do governo federal e os comentários que aparecem nos blogs onde essas notícias circulam me fazem perguntar uma coisa: o que a comunidade de SL esperava desse programa?
Uma análise científica isenta (perdoem a redundância) precisa analisar o fenômeno de migração Linux->”Windows Pirata” que está acontecendo com as máquinas do programa Computador para Todos, mas eu desconfio que no final dessa análise chegaremos à uma conclusão óbvia: as empresas e o público consumidor brasileiro não estava preparado para o Linux.
Sim, as empresas não estavam preparadas porque elas não sabem como dar suporte ao Linux, como tornar os seus vendedores aptos a venderem um produto ligeiramente diferente do que eles estavam acostumados a vender, e porque os empresários brasileiros são muito bons para reclamar de imposto e juro alto (são altos mesmos) mas péssimos para criar e levar adiante modelos de negócio diferentes daqueles que eles usam desde a época de Getúlio Vargas.
O público também não estava preparado para o Linux. Os professores nas escolas pedem os trabalhos escolares em formato “.doc” para seus alunos. Os órgão públicos (principalmente o judiciário) publicam os documentos sobre licitações públicas, editais e coisas do tipo em formatos proprietários (.doc também) e os sites das instituições públicas não funcionam com navegadores que não sejam o Internet Explorer.
Como que a comunidade de software livre quer que as pessoas “normais”, aquelas que não são entusiastas de tecnologia, usem um computador com Linux? Essas pessoas vão ficar com Linux em seus computadores só porque ele é “politicamente correto”? Isso é bobagem.
E como as coisas não aconteceram da forma que a “comunidade” esperava eles trataram logo de eleger os culpados (Microsoft, Abes e Governo Federal) para que ela possa se eximir de qualquer responsabilidade pelo que aconteceu.
A comunidade erra quando ataca a Microsoft, a Abes e até mesmo o Governo Federal (podem atacar, mas usem os motivos certos). A Microsoft não tem culpa de nada. Ela está simplesmente jogando o jogo. Se a comunidade SL não fez o seu trabalho corretamente a culpa não é dela e à ela cabe apenas tentar fazer a sua parte com correção e honestidade. Se ela não for honesta a nossa função é apontar com provas a desonestidade dela.
A Abes também não é vilã. Ela é uma associação de empresas que produzem e vendem software proprietário. Ela detectou que o programa Computador para Todos estava servindo para aumentar os índices de pirataria e fez uma pesquisa para provar isso (eu tenho uma forte sensação de que eles falam a verdade nesse trabalho). Culpá-la por fazer isso é o mesmo que culpar a OAB por defender os interesses dos advogados.
Querer culpar o Governo Federal pelo programa Computador para Todos é correto? Nunca. O projeto está permitindo que pessoas comprem computadores e isso é bacana. O projeto também sugere que esses computadores venham com Linux e isso também é bacana. Mas num país democrático é o máximo que um projeto governamental pode e deve fazer. A partir deste ponto a tarefa de popularizar o Linux cabe às empresas que montam e vendem esses computadores e à comunidade de SL que dará suporte à esses usuários* e pressionará as empresas, escolas, órgãos públicos para que utilizem os padrões abertos que permitem que Linux e Windows convivam harmoniosamente.
Um “causo” real: Um sobrinho meu pediu um computador para seus pais e graças ao Computador para Todos ele iria ganhar o tal computador. Na loja (Ponto Frio em Curitiba) o vendedor explicou pra ele que o computador com Linux era mais barato mas ele recomendava a versão com Windows Starter Edition porque o Linux queimava os computadores. Graças à isso o meu sobrinho optou por não seguir os meus conselhos e adquiriu a máquina com o tal Windows. O Windows então começou a pedir códigos e mais códigos de ativação, ligações para 0800 da Microsoft, nota-fiscal pra cá, nota-fiscal pra lá e, finalmente, um WindowsXP pirata foi instalado em cima do tal Windows Starter Edition.
Isso também daria uma pesquisa interessante: Quantas pessoas tiraram o Windows Starter Edition da máquina pra instalar um WindowsXP pirata? Estaria a Microsoft colaborando com a pirataria?
* esse suporte não precisa necessariamente ser feito no formato de SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente). Esse suporte pode ser feito com desenvolvimento de novos softwares, melhoria de alguns já existentes, tradução de documentação, tutoriais, treinamentos gratuitos para grupos de usuários, etc.
Python in a Nutshell
Seguindo adiante com o review de mais um dos livros que a editora O’Reilly me enviou para avaliar irei comentar as minhas impressões sobre o livro Python in a Nutshell.
A edição que recebi em mãos e já “li” (é um livro de referência, então poucas coisas são para serem “lidas”) já está superatualizada e já cobre certos aspectos até mesmo do Python 2.5 que foi lançado somente depois do livro já ter sido publicado.
Tenho pouca coisa pra comentar sobre ele porque trata-se de um livro de consulta e não uma obra que ensina algo a alguém. Mas como referência é um excelente trabalho e até já me socorreu algumas vezes no meu trabalho.
Se fosse pra eu comprar esse livro eu não o faria. Mas não pela qualidade do livro em si mas sim pelo fato de que eu não gosto mais de livros de referência em papel. Desde que surgiram os modernos sistemas de busca na Internet consultar algo em material impresso se tornou uma tarefa muito chata. A documentação oficial da linguagem Python (disponível no site) também é muito rica para justificar a aquisição de um livro extra somente para referência.
O livro trás algumas informações extras que não estão disponíveis na documentação oficial de Python e é prático para quem gosta de consultar um assunto à maneira ‘antiga’ (no papel). Vale tê-lo em mãos, também, pelo fato dele estar atualizado para a versão atual da linguagem Python (2.5).
É verdade também que, agora que tenho o meu Python in a Nutshell, ele ficará sempre ao alcance de minhas mãos em minha mesa de trabalho.
Por último, vale lembrar que esse livro ainda não tem tradução para o português.
Para comprar: Python in a Nutshell.



