Segue para o conteúdo

Archive for junho, 2005

18
jun

Arrogância Pythonica

Não é muito raro ouvir (ver) em alguns sites pessoas dizendo que a comunidade Python é arrogante. Também não é difícil notar que existem talvez umas 3 pessoas que dizem isso. Este post se tornou necessário porque apesar de serem poucos essas pessoas são extremamente ruidosas.

Se o trabalho deles é o de ‘destruir’ a nossa comunidade temos que agir imediatamente para derrubar o mito criado por essas pessoas.

A comunidade Python no Brasil hoje está crescendo num ritmo bom que garante que ela aumente de tamanho sem perder a qualidade, ou seja, estamos crescendo e não inchando.

Para todos os pythonistas brasileiros é importante ter pessoas esforçadas em aprender e a estudar essa ferramenta e não sangue-sugas que simplesmente entram para o time porque é sexy usar uma ‘linguagem alternativa’ ou porque precisam entregar um trabalho para o seu professor e precisam de alguém para fazer o serviço (esse tipo, aliás, não é exclusivo de nossa comunidade).

Algumas das pessoas que propagam que a comunidade Python brasileira é ‘arrogante’ fazem parte dessa imensa minoria que tentara dar uma de espertos para cima da nossa comunidade.

Coisas do tipo “<loser> Ei! faça o meu trabalho de faculdade? <pythonista_arrogante> Não <loser> Nossa! Como vocês são arrogantes!” são menos incomums do que deveriam ser.

Uma outra coisa que também faz com que o clima esquente em nossas listas de discussão é: intolerância. Fico impressionado como as pessoas andam intolerantes. Juntando à essa intolerância a impossibilidade de expressar sentimentos via e-mail e o estrago está feito. Vou ilustrar algo real que aconteceu em nossa lista recentemente em uma discussão que falava sobre a total liberdade dá ao programador e sobre os perigos que isso representava:

—–8
Parece coisa de C o programador sabe o que ta fazendo ele permite fazer qualquer loucura heheh
—–8

Uma opinião pessoal interessante, com um “heheh” no final que demonstra claramente que trata-se de uma brincadeira. A resposta para isso foi:

—–8
Cuidado com este tipo de comentário. Está sugerindo programadores em Python não sabe o que está fazendo?
—–8

A nossa sorte que a pessoa que mandou a primeira mensagem era uma pessoa legal e não resolveu sair da lista e sair por aí falando que todos os pythonistas agem dessa maneira. Não é legal condenar toda uma comunidade por um equívoco cometido por um dos membros. O pythonista que foi descuidado em sua resposta, por exemplo, é um excelente membro da lista e prontamente responde à todos que solicitam ajuda, mas dessa vez, admito, pisou na bola.

Esse problema também ocorre em diversas outras listas de discussão que eu participo e por isso eu digo e repito à todos que estão lendo isso aqui: Sejam tolerantes em discussões, principalmente nas ocorridas através de mensagens escritas onde a carga emocional não pode ser trasmitida de forma satisfatória.

Uma outra dica para os recém-chegados ao meio do Software Livre em geral: ninguém tem obrigação de te ajudar em nada no universo do Software Livre. As pessoas te ajudarão em solidariedade e no interesse de que a comunidade do Software Livre cresça com pessoas esforçadas. Na comunidade do Software Livre não tem bobos e ‘nerds babões’ como dizem por aí, portanto, não tentem dar uma de espertos pra cima da gente que não vai colar. Demonstre que você já tentou solucionar os seus problemas antes de enviar uma dúvida para uma lista.

E o recado mais importante: Antes de mandar uma mensagem para uma lista de discussões (qualquer uma e não apenas a python-brasil) dê uma lida nesta página para que depois você não fique nos chamando de arrogantes.

14
jun

A GUI está ‘morta’

Sempre que escrevo sobre algum assunto ‘polêmico’ tenho uma certa tendência a escrever ‘pisando em ovos’. Isso faz com que o que eu escreva fique complicado de se ler. Espero que isso não ocorra agora mas, caso ocorra, peço um pouquinho de paciência para passar pelo texto todo.

O título deste post é um exercício de futurologia. Se eu fosse um milionário eu diria que isso é uma profecia, mas como sou um ‘mortal-comum-ligeiramente-devedor’ digamos que essa história é apenas uma impressão que eu tenho que faz com que minha intuição me avise: a GUI está caindo aos poucos em desuso.

Quem vai ser o algoz das Interfaces Gráficas? A Web.

“Mas Osvaldo, a Web já está aí a um tempão e as GUIs ainda existem. Além disso essa previsão de que a Web iria matar as GUIs já vêm de longa data…”. Ok. Devo admitir que isso é parcialmente certo mas recentemente algumas coisas apareceram na Web que abalaram a crença dos que acreditam nas GUIs: Gmail, Google Maps, Google Suggest e Web Accelerator. O que esses caras tem em comum? Eles surgiram no Google e, com excessão ao Web Accelerator, usam a idéia da tecnologia Ajax.

Esses caras, junto com alguns outros sites espalhados pela Web em páginas que falam sobre Javascript, DHTML, XHTML, DOM, etc, etc e etc, estão mostrando que os navegadores hoje podem fazer coisas que ninguém imaginava a alguns pouquíssimos anos atrás.

Para apimentar ainda mais esta história, recentemente o Google contratou desenvolvedores do Mozilla e do Internet Explorer. Meu chute? Eles vão desenvolver uma suite Office inteira para ser usada via navegador e disponibilizar discos remotos para podermos gravar os nossos arquivos. Além, é claro, de indexá-los para facilitar a nossa busca e para que facilmente anexemos documentos da Rede em nossos trabalhos (essa, sem dúvida, é de fazer até os não-conspiracionistas tremerem, mas… :) ). Neste esquema também teremos mais ASPs (Application Service Providers) pipocando por aí.

A facilidade com que se distribui atualizações de software, o alcance das soluções vendidas, o custo operacional menor (suporte), outras formas de receita (publicidade), e mais outras coisas que certamente os mais espertos já pensaram fazem com que as soluções Web sejam muito mais vantajosas que as atuais aplicações GUI. Com a computação pessoal permitindo a navegação em qualquer lugar em que você esteja e suas aplicações rodando remotamente em algum lugar da Web darão total liberdade a qualquer tecnomaníaco (como eu).

Do lado dos desenvolvedores cada dia mais o desenvolvimento de aplicações Web tem se tornado mais fácil (tem casos até em que desenvolver para Web é mais fácil do que desenvolver software ‘tradicional’). Para confirmar o que eu digo é só ver o Zope, e o Plone com ferramentas como o ArchGenXML. Eu vi uma aplicação sendo desenvolvida em velocidade espantosa em uma apresentação do Fabiano “xiru” em nosso evento em Abril.

Quem serão os responsáveis pela perpetuação das GUIs? Aplicações gráficas mais específicas (CADs, DTPs, etc) e Jogos de computador que exigem alta performance dos equipamentos.

Por isso você, desenvolvedor brasileiro, tente se antecipar à esse movimento e comece a trilhar os caminhos do desenvolvimento Web. Só assim poderemos deixar para trás esse ‘mundinho antiquado’* dos Delphis, Kylixes e Visuais Basics e entrar pra valer no futuro tecnológico mundial.

* Sei que os Delphis, Kylixes e Visuais Basics ainda solucionam vários problemas de empresas brasileiras e que o investimento para se reescrever as centenas de milhões de linhas de códigos dessas plataformas para usar tecnologias mais novas é alto demais. Mas nunca devemos esquecer que no nosso mundo tecnologia ‘velha’ custa caro também e um investimento maior hoje poupará muito dinheiro futuro.

10
jun

Nokia 770

Como vocês devem ter acompanhado nos últimos dias a Nokia anunciou o lançamento do Nokia 770. Nada demais até aí exceto pelo fato de ser uma plataforma totalmente nova da Nokia. Esse dispositivo também não será um celular e isso é uma outra novidade.

Além dessas novidades existe uma outra que eu acho que é a mais importante de todas. A plataforma. O Nokia 770 vai rodar com a plataforma Maemo (www.maemo.org) que é totalmente baseada em software Open Source. Isso significa que dentro daquele ‘aparelhinho’ alí vai bater um coração Linux com um servidor X e aplicações baseadas em uma leve variante de Gtk. Perfeito, não é? Quase.

Para desenvolver nessa plataforma é necessário usar linguagem C e programar em C é complicado. Para resolver esse problema existe uma alternativa: portar uma outra linguagem para ser usado na plataforma Maemo. Essa alternativa nos leva a outro problema que é: qual linguagem?

Preciso dizer que linguagem eu escolheria para ser a principal ferramenta de desenvolvimento para Maemo? :)

Eu e meu amigo Rudá estamos trabalhando nisso e a nossa maior briga tem sido com o tamanho do Python (juntamente com PyGtk + PyGame). Nossa meta é colocar isso tudo aí em 5MB e hoje temos só o Python (já enxuto) ocupando 2.5M.

Se vocês tiverem dicas/sugestões de como diminuir o tamanho das coisas podem colocar aqui nos comentários ou envie para a python-brasil.

Ah! E já liberamos o primeiro release: