Python, Pygame e Nokia 770
Hoje eu e o Rudá fizemos o teste definitivo do Python com Pygame no Nokia 770. Testamos ele com o jogo Solarwolf que é um dos joguinhos mais completos no site do Pygame. Enquanto eu preparava ele pra rodar no 770 (eu tive que truncar a imagem que originalmente era 800×600 para que ela coubesse na tela de 800×480) eu pensei: “Isso não vai funcionar. Vai ficar lento toda a vida”.
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A boa notícia: não ficou lento! :) A má notícia: O protótipo que a gente tem aqui não está com o som configurado ainda, logo, o jogo ficou mudo.
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Particularmente fiquei superfeliz com o resultado. A gente já tem todos os pacotes prontinhos para rodar isso dentro do Scratchbox. Só não disponibilizamos publicamente ainda porque estamos com um probleminha que tá impedindo que a gente se conecte com nosso servidor Web.
Além desse trabalho eu estou fazendo os bindings Python para a biblioteca Hildon da plataforma Maemo. O segredo para isso é gerar uns arquivos com a extensão ‘.defs’ (com sintaxe Scheme) com as definição das APIs da biblioteca em C. Para não ficar fazendo ‘trabalho de macaco’ eu estou fazendo um gerador automático de ‘.defs’. Se funcionar direito eu acho que será útil para o pessoal que desenvolve o PyGTK também.
Precisamos nos mexer
Hoje eu li um e-mail na lista de discussões que foi enviado pelo Ramiro (e complementado pelo Luciano Rodriguez) que fala sobre um projeto chamado “Programa Técnico Cidadão“. Esse programa visa dar treinamentos gratuítos de Java para jovens de baixa renda.
Peço perdão pelo palavreado, mas acho que esse tipo de programa é do c*ralho. Quando eu vejo a comunidade Java fazendo esse tipo de coisa eu sinto uma enorme inveja (uma inveja sadia) deles. Queria que a nossa comunidade fizesse o mesmo e ao mesmo tempo me sinto incapaz de ‘correr atrás’ de criar um projeto nesse estilo.
Os mais apressados provavelmente vão me dizer: “Não fica com inveja não Osvaldo, eles só conseguem fazer esse tipo de coisa porque eles tem patrocínio da Sun, do ITI e do Serpro”. E é nesse ponto que eu discordo.
A gente não teve dinheiro e organizou nossa 1a. PyConBrasil (tá, na verdade quem organizou foi o Senra com a ajuda do Rubens Queiroz e o pessoal da Unicamp). Foi grandiosa como a Sun Tech Days? Provavelmente não. Mas eu, que já assisti a algumas palestras da Sun Tech Days, posso dizer que nossas palestras tinham um nível muito bom e o público presente ao evento estava muito mais interessado em Python do que os programadores Java estavam interessados em Java.
Acho que pra que esse tipo de iniciativa siga em frente nós da comunidade pythonica precisamos nos mexer e ‘agitar’ mais o nosso meio. Algumas vezes precisamos sair da frente de nossos computadores e de nossas tarefas de desenvolvimento, vestir um ‘bonézinho marketeiro’, a partir para a luta.
Porque é importante divulgar Python hoje? Para que no futuro a gente não consiga trabalhar com Python porque nenhuma empresa vai querer usar essa tecnologia por não conseguir achar profissionais especializados.
Quero deixar claro também que na nossa comunidade não existem figuras de ‘liderança’ nos mesmos moldes do Bruno Souza/Javaman que trabalha ‘agitando’ as coisas para a comunidade Java. Na nossa comunidade todos são livres para iniciar as coisas. Depois de iniciadas é só pedir ajuda que certamente receberá.
Aos empresários, mesmo os pequenos empresários, é interessante lembrar que é possível ajudar a comunidade a promover esse tipo de atividade sem desembolsar (ou talvez desembolsando muito pouco) dinheiro.
Vamos começar a agitar coisas legais que façam com que as outras comunidades sintam a ‘invejinha’ que hoje eu sinto delas.
Conisli, a redenção(?)
É isso aí. O pessoal do Conisli iniciou o processo de recebimento de proposals para o seu congresso que vai acontecer em São Paulo nos dias 3, 4 e 5 de novembro desse ano.
Acho que chegou o momento dos pythonistas brasileiros submeterem todas aquelas palestras que foram recusadas para o FISL. Como o Conisli é um evento com o foco mais ‘técnico’ e menos ‘político’ a gente tem mais chances de ser ouvido. Acho que isso pode acontecer porque se a gente não tem um lobby político certamente temos um lobby no meio técnico que é formado pelos vários desenvolvedores de SL brasileiros que realmente desenvolvem software livre aqui no Brasil.
Os grandes desenvolvedores de SL aqui no Brasil usam Python e quando não usam Python possuem uma grande simpatia por essa linguagem.
Quando estiverem submetendo suas palestras tomem um cuidado muito grande na descrição da mesma. Sejam objetivos e evitem ‘difamar’ tecnologias nessas descrições elembrem-se que os patrocinadores do evento podem não gostar de ver palestras que falem mal de seus ‘produtos’ (vide provável caso FISL / Sun / Java / Python).
Para os palestrantes de primeira viagem uma dica: lembrem-se de pedir ajuda para palestrantes mais experientes. Tenho certeza que pessoas como o Rodrigo Senra, Rudá Moura, Gustavo Niemeyer e até mesmo eu terão o maior prazer em ajudá-los com informações, dicas para montar apresentações e até mesmo para ‘revisarem’ a mesma depois de pronta.
Vamos trabalhar para ocupar todos os espaços a que temos direito nesse evento.



